Terra queimada.

Os portugueses, na generalidade, pouco percebem de assuntos climatéricos. Habituaram-se aos ditos familiares que ainda na aldeia são a verdade. Essa assunção, não muito diferente das que faziam os camponeses antes da Revolução Francesa, é um dos sintomas mais característicos da nossa vida social, em que a racionalidade aparente do aparelho de Estado convive com o autónomo aconselhamento sensorial dos cidadãos. O mesmo senso comum que ainda acredita no poder fantástico do monopólio das celuloses. O mesmo senso comum que ainda acredita que uma mangueira ou um camião pode fazer frente a um fogo florestal. Nas redes sociais ninguém foi capaz de fazer referência a documentos produzidos, preferindo antes mandar autênticos palpites sobre um assunto tão importante. Poucos acompanham os programas de televisão mais importantes para o efeito como os documentários de vida selvagem, ou a excelência do programa “Biosfera” da RTP2.

O estudo do clima é algo do domínio do esotérico para a maior parte das pessoas, apenas apresentado nos minutos finais do telejornal, para saber se no dia seguinte se pode ir trabalhar mediante que condições, ou para assistir ao fenómeno mais impressivo da natureza em funcionamento num ponto qualquer remoto do globo. O estudo da floresta foi relegado para as esquecidas instituições que ainda leccionam a silvicultura, a engenharia florestal ou, dito de um modo abrangente, a agronomia. No país dos engenheiros, contam-se pelos dedos os jovens ambiciosos que queiram ingressar na área da agronomia.

Esta crise de valores, que é evidente, é em parte culpada por esta imagem tristíssima que o país dá na confrontação com as suas insuficiências. Os partidos políticos, as grandes empresas, as pequenas e médias empresas, as instituições do poder local e a sociedade civil são complacentes com o desgoverno do terroir português, à excepção das paupérrimas associações ambientalistas. A barafunda do pós-Pedrogão Grande pôs inclusivamente o santo Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) em cheque.

Um jornalismo que se preste à informação diária ou semanal ou mensal ou eventual — de acordo com o sensacionalismo do momento — só poderá atingir os níveis adequados de conhecimento do seu público se contar com um quadro que conheça os novos enquadramentos ambientais como as alterações climáticas, o alargamento do buraco do ozono, a extinção de espécies selvagens, a deslocalização e desertificação do interior e consequente crescimento da vida urbana, etc. Alguém especializado nestes dossiers deveria ter já assento nas colunas dos jornais cheios de opinião que não serve nem para acender o fogareiro.

O ano de 2017 foi uma tragédia ambiental para Portugal, que deu origem em primeiro lugar a uma crise de regime — o que levou à exaltação do papel conciliador de Marcelo Rebelo de Sousa, ainda que muitos críticos não consigam ver mais do que um aproveitamento da sua figura presidencial —, na qual o Estado colapsou, relegando à sociedade-providência o papel cimeiro na luta contra a intempérie. Em segundo lugar, deu origem a uma crise de governação, com a inevitável demissão da Ministra da Administração Interna. A seca no Alentejo e em Bragança é não só uma tragédia digna dos piores compêndios da gestão do nosso património, como a revelação máxima de que nada anda a ser feito ao nível das alterações climáticas. A calamitosa situação da pesca da sardinha é um outro bom exemplo das fragilidades do nosso sistema de prevenção. As espécies invasoras encontram no país um paraíso, sem predadores naturais e contado com a ajuda da ignorância dos que o habitam.

Semelhantes problemas deram origem nos Estados Unidos ao levantamento da situação de Porto Rico, uma colónia de lixo ambiental. No Brasil há questões legais a sobreporem-se à exploração de recursos naturais. Na China as cidades batem-se pela manutenção do crescimento de acordo com padrões de saúdo pública aceitáveis. Um pouco por todo o mundo, as questões mais centrais da economia global giram à volta do ambiente. Impõe-se a criação de um jornalismo ambiental (ver abaixo os prémios SEAL) e uma agenda educativa que de uma vez por todas saiba dar às crianças os conhecimentos mais importantes para o resta das suas vidas: a realidade real do mundo que nos rodeia. Esta amálgama de links que se segue serve apenas para identificar o Portugal de 2017, a terra queimada que nos pariu a todos.

 


Relatório da Comissão Independente 

Relatório Provisório de Incêndios Florestais (ICNF)



2017 SEAL ENVIRONMENTAL JOURNALISM AWARD WINNERS


The Politics of Hurricane Harvey

Second, responding to climate change is not one single thing with one set of partisan ramifications. David Roberts at Vox helpfully breaks down the difference between adaptation—changing policies and practices to deal with a hotter, wetter world—and mitigation, which is the effort to slow or reverse changes to the climate. Adaptive measures are the bread and butter of local politics—zoning, insurance, building codes, hardened infrastructure, emergency response. They will expose divisions even more basic than ideology—who benefits, and who bears the costs. There is reason to worry about whether our fractured politics can take on these challenges comprehensively, but much reason for optimism that they can be done. What political forces will choose to focus on adaptation challenges; whether extreme weather and temperature and sea change concerns are factored into federal conversations about infrastructure; how resources are divided between weather-proofing poorer neighborhoods and shoring up expensive beach real estate—those are all challenges that aren’t stopped by gridlock and are influenced by many forces beyond partisanship.

Most Countries Have Given up their colonies. Why Hasnt America.

The military frequently has used this freedom to behave with casual disregard for people in the U.S. colonies, acting in ways that would be unimaginable in the 50 states or in a foreign country. After World War II, the military disposed of hundreds of thousands of pounds of ordnance in Guam and the Northern Marianas through detonation, burning or dumping at sea. A dumpsite near Guam’s Andersen Air Force Base has leached dangerous and toxic compounds, and the base itself is on the Environmental Protection Agency’s list of the nation’s worst environmental contamination sites.


Trophy Is a Striking Look at Big Game Hunting and Conservation

 


Women Finding
Empowerment in
‘A World of Smoke’


The Mail’s censure shows which media outlets are biased on climate change

The errors really aren’t surprising. Rose and the Mail have a long history of climate denial, including error-riddled stories on Arctic sea ice, Antarctic sea ice, human-caused global warming, even the very existence of global warming. And the Mail has such a long history of inaccuracies in general that Wikipedia editors consider it an unreliable source and banned its use. But Breitbart, Fox News, Rush Limbaugh, and other right-wing media outlets have no qualms with publishing inaccuracies from unreliable sources, as long as the story advances their climate denial agenda.

Why the 97% climate consensus is important


 

 


 

 

Caranguejo azul nativo da América do Norte descoberto no estuário do Guadiana

Incêndios: autarquia de Braga lamenta falta de meios aéreos

“É imprescindível que os políticos oiçam as universidades”

Stunning GoPro Footage From the Front Lines of Wildfire

Why the U.S. is so bad at predicting hurricanes

Pesca de arrasto é “comparável à destruição de florestas tropicais”

O manto negro que cobre a região de Arganil

Seca no planalto mirandês

 

 

 

Animals at Risk

Vikings Razed the Forests. Can Iceland Regrow Them?

The Boomtown That Shouldn’t Exist

How Climate Change Affects Cartography

As It Looks to Go Green, China Keeps a Tight Lid on Dissent

Curva de Keeling está imparável e o dióxido de carbono bate novo recorde

E o planeta aquece, aquece, aquece…

O Verão no Outono não é invulgar, mas tanto assim?

Conselho Internacional do Mar desconhece quanto tempo levará a recuperar stocks de sardinha

Uma homenagem ao Pinhal de el Rey

Veados estragam culturas nas aldeias da Lombada

Quase metade das albufeiras abaixo de 40%

Consequência da seca, a produção de electricidade recorre mais aos combustíveis fósseis e menos à agua das barragens. O país não consegue satisfazer neste momento nem metade do consumo a partir de energias renováveis – e muito longe estão os quatro dias e meio de 2016, cujo consumo foi assegurado com renováveis, hídrica e eólica, sobretudo. Nos 26 primeiros dias de Outubro deste ano, as barragens geraram menos 60% de electricidade do que em igual período do ano passado, de acordo com os dados da REN-Rede Eléctrica Nacional. Em contrapartida, as centrais a carvão e ciclo combinado de gás natural trabalharam mais 13%, sendo consideradas responsáveis por 20% das emissões nacionais de dióxido de carbono.


Arresting Photos Illuminate the World of Wildlife Contraband

Though the kill-or-be-killed nature of our interaction with wildlife is a thing of the past, a primal instinct remains, Jaschinski theorizes, finding expression through trophy hunting and traditional medical practices founded on the idea that consuming parts of certain animals can endow humans with their essence of strength and vitality. “I think humans have a primitive need to dominate,” she says. “When we lived in tribes it was about survival. Human evolution has gone wrong here.”

 


QUAL A IMPORTÂNCIA DOS CIDADÃOS NATURALISTAS? OS CIENTISTAS RESPONDEM

What’s Causing the Sharp Decline in Insects, and Why It Matters

“The key question is whether governments view biodiversity as an add-on or as something that is of existential importance for our future,” says Deckert.

Bill Nye on his climate change education efforts: “I am a failure”

A giant insect ecosystem is collapsing due to humans. It’s a catastrophe

So what is the future for 21st-century insects? It will be worse still, as we struggle to feed the nine billion people expected to be inhabiting the world by 2050, and the possible 12 billion by 2100, and agriculture intensifies even further to let us do so. You think there will be fewer insecticides sprayed on farmlands around the globe in the years to come? Think again. It is the most uncomfortable of truths, but one which stares us in the face: that even the most successful organisms that have ever existed on earth are now being overwhelmed by the titanic scale of the human enterprise, as indeed, is the whole natural world.

Where have all the insects gone?

Three-Decade Survey Shows Drastic Decline in Insect Populations

Insect “Armageddon”: 5 Crucial Questions Answered

Could Genetic Engineering Save the Galápagos?

 

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